O Bar do Armando, um dos estabelecimentos mais tradicionais de Manaus e reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas desde 2015, pode encerrar as atividades no imóvel onde funciona há mais de 60 anos, no Largo de São Sebastião, Centro da capital. A possibilidade foi detalhada durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira, 13, quando representantes do estabelecimento e da defesa jurídica explicaram o andamento da disputa judicial.
Segundo o advogado Fausto Ventura, que representa a família responsável pelo bar, todas as medidas judiciais possíveis para garantir a permanência no imóvel já foram adotadas ao longo dos últimos dez anos, mas as possibilidades de reverter a situação na Justiça chegaram ao fim.
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“Estamos atuando há 10 anos no caso e tudo que pôde ser feito no Judiciário foi feito. E, nesse momento, nós temos como esgotada qualquer possibilidade de reaver esse direito de permanecer aqui neste local”, afirmou.
De acordo com a defesa, o Bar do Armando ocupa o imóvel por meio de contrato de locação há cerca de 60 anos. Entretanto, em março de 2015, a proprietária do imóvel, Ana Cláudia, encaminhou uma notificação extrajudicial solicitando a desocupação imediata do espaço.
“Sem nenhuma justificativa, apenas que o locador queria o imóvel de volta e imediatamente. Foi uma confusão muito difícil de ser resolvida”, explicou Fausto Ventura.
Na época, as partes chegaram a um acordo que permitiu a permanência do estabelecimento por mais dois anos. Com o encerramento desse contrato, a família voltou a recorrer ao Judiciário para tentar garantir a continuidade do funcionamento do bar, dando início a uma disputa judicial que se estendeu por aproximadamente uma década.
Três meses de Bar do Armando
Durante a coletiva, o advogado afirmou que a estratégia da defesa agora deixa de ser exclusivamente jurídica e passa a buscar apoio institucional.
“Agora, nós não temos só um problema. Nós paramos na via judicial porque não temos mais solução e, agora, a solução, no nosso modo de ver, é política, ou via Legislativo ou Executivo. Não existe mais possibilidade de equacionar esse problema na via judicial. Temos uma sobrevida de dois ou três meses e é por isso que nós convocamos os guardiões da cultura”, declarou.
Segundo Ventura, a intenção é mobilizar representantes dos poderes Legislativo e Executivo, além de instituições ligadas à preservação do patrimônio histórico e cultural, para buscar uma alternativa que permita a continuidade do Bar do Armando, considerado um dos principais símbolos da cultura manauara.
A possível desocupação preocupa frequentadores e admiradores da história do estabelecimento. Ao longo de mais de seis décadas, o Bar do Armando tornou-se um tradicional ponto de encontro de artistas, jornalistas, intelectuais, políticos e turistas que visitam o Centro Histórico de Manaus.
Em 2015, o estabelecimento recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas, em reconhecimento à sua relevância para a memória e a identidade cultural do estado.
Apesar do cenário jurídico desfavorável, a família informou que continuará buscando alternativas para manter viva a história do Bar do Armando, seja por meio de um acordo que possibilite a permanência no imóvel ou da construção de uma solução junto ao poder público.
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