O Brasil tem 3.730 espécies de plantas ameaçadas de extinção, segundo a atualização da Lista Nacional Oficial das Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, publicada em 26 de outubro de 2026. A relação reúne espécies que enfrentam diferentes níveis de risco de desaparecimento na natureza e serve de referência para ações de conservação da biodiversidade.
Entre as principais mudanças está a classificação do pau-brasil (Paubrasilia echinata), que passou de “Em Perigo” para “Criticamente em Perigo”, categoria que representa o nível mais elevado de ameaça.
A atualização também incluiu a sempre-viva (Paepalanthus rupestris), a planta carnívora (Philcoxia minensis) e uma subespécie do pequizeiro (Caryocar brasiliense subsp. intermedium). As três foram classificadas como “Em Perigo”.
Em comparação com a relação divulgada em 2022, houve um aumento de 521 espécies. Ao todo, 595 plantas foram incluídas e 74 retiradas. A ampliação está relacionada ao avanço das pesquisas e à obtenção de novos dados científicos. A retirada de uma espécie da lista, no entanto, não significa necessariamente que sua população tenha se recuperado.
Duas espécies são consideradas possivelmente extintas
Duas plantas da Mata Atlântica receberam a classificação de “Criticamente em Perigo (Possivelmente Extinta)”.
Uma delas é a Symplocos rizzinii, árvore com registros na Serra da Mantiqueira. A outra é a Plinia rogersiana, espécie do mesmo gênero da jabuticaba, com ocorrência registrada em São Paulo.
A classificação não confirma que as plantas desapareceram definitivamente. Novas buscas em campo deverão ser realizadas para verificar se ainda existem exemplares na natureza.
Mais de 2 mil espécies estão em perigo
Das 3.730 espécies relacionadas, 838 estão na categoria Vulnerável, 2.162 em Perigo e 730 em Criticamente em Perigo. Neste último grupo estão incluídas as duas espécies consideradas possivelmente extintas.
LEIA TAMBÉM: Homem aproveita janela aberta em carro de app e puxa iPhone de passageira em Manaus
A avaliação segue critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que considera fatores como tamanho das populações, redução do número de indivíduos, distribuição geográfica e fragmentação dos ambientes.
Entre as principais ameaças analisadas estão o desmatamento, as queimadas, a poluição, a expansão urbana e a exploração ilegal.
Mata Atlântica e Cerrado têm maiores proporções
A Mata Atlântica e o Cerrado apresentam os maiores percentuais de espécies ameaçadas entre os biomas avaliados. Na Mata Atlântica, o índice é de 38%, enquanto no Cerrado chega a 35%. Na Amazônia, o percentual é de 18%.
Os dados consideram apenas as espécies submetidas à avaliação científica e não representam a totalidade da flora existente em cada bioma.
Avaliação
O levantamento foi coordenado pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), com a participação de 507 pesquisadores.
O número de espécies avaliadas passou de 7.524, em 2022, para 9.420 em 2026, um crescimento de aproximadamente 25%.
A lista é utilizada como referência para políticas de conservação, criação e gestão de áreas protegidas, licenciamento ambiental e recuperação de espécies e habitats. Também fundamenta medidas legais de proteção e restrições à coleta, ao corte e à comercialização de plantas ameaçadas, conforme as condições previstas na legislação.
A atualização da flora faz parte da revisão das listas nacionais de espécies ameaçadas realizada em 2026, que também incluiu animais e, pela primeira vez, fungos.
O post Brasil tem 3.730 espécies de plantas ameaçadas de extinção, aponta levantamento apareceu primeiro em Segundo a Segundo.
