Comunidade indígena em Maraã está há mais de um ano sem energia elétrica

Mais de 150 indígenas do povo Kanamari, moradores da comunidade Nova Galileia, em Maraã, no interior do Amazonas, estão há mais de um ano sem acesso à energia elétrica. A situação também afeta escolas e o posto de saúde da localidade. Diante do problema, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) recomendou à concessionária Âmbar Energia Amazonas que providencie a instalação do serviço.

A ausência de energia foi constatada durante uma inspeção realizada pela Promotoria de Justiça de Maraã no dia 24 de outubro. Segundo o Ministério Público, mesmo após solicitações feitas pelos moradores há mais de um ano, as residências e os estabelecimentos públicos da comunidade continuam sem fornecimento de eletricidade.

Nas escolas, a falta do serviço compromete o uso de equipamentos pedagógicos, a iluminação e a ventilação dos ambientes. No posto de saúde, a situação dificulta a conservação de vacinas e medicamentos, além do funcionamento de equipamentos médicos e dos atendimentos noturnos.

Comunidade enfrenta dificuldades

Os moradores também enfrentam dificuldades dentro de casa, principalmente para conservar alimentos, utilizar iluminação e ter acesso a equipamentos de comunicação.

De acordo com o promotor de Justiça Marcos Túlio Pereira Correia Júnior, comunidades próximas à Nova Galileia já possuem energia elétrica. A localidade abriga mais de 150 pessoas, além de escolas municipais, posto de saúde e diversas residências.

Na recomendação, o MPAM estabeleceu prazo de 10 dias úteis para que a Âmbar Energia informe se vai atender à solicitação e apresente esclarecimentos sobre o pedido de ligação feito pelos moradores. A concessionária também deverá encaminhar os protocolos de atendimento, estudos técnicos e justificativas para a demora no fornecimento.

O documento determina ainda que a empresa realize uma visita técnica à comunidade em até 15 dias, após contato com as lideranças indígenas. No mesmo prazo, deverá apresentar um projeto e um cronograma para a execução das obras, com informações sobre as etapas dos trabalhos, os responsáveis e as datas previstas.

O Ministério Público solicita que a instalação da rede seja iniciada e concluída para garantir o fornecimento regular de energia às residências, escolas, posto de saúde e demais estabelecimentos da comunidade.

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A recomendação também estabelece prioridade para o atendimento das unidades de saúde e de ensino. Até a conclusão da instalação definitiva, a concessionária deverá avaliar uma alternativa provisória para garantir o fornecimento mínimo de energia a esses locais.

Outro ponto previsto é que a ligação não seja condicionada a pagamentos pelos moradores, ao custeio de obras ou a exigências documentais incompatíveis com a realidade da população. A empresa também deverá adotar procedimentos simplificados para o cadastro das unidades consumidoras.

O MPAM orienta ainda que as famílias sejam informadas sobre a possibilidade de acesso à Tarifa Social de Energia Elétrica, conforme os critérios estabelecidos pela Lei nº 12.212/2010 e as informações do Cadastro Único.

A concessionária deverá garantir que as instalações atendam às normas técnicas de segurança e orientar os moradores sobre o uso adequado da energia elétrica. Também deverá manter as lideranças da comunidade informadas sobre o andamento das obras, os prazos e eventuais imprevistos.

A recomendação foi encaminhada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), à Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados e Contratados do Amazonas (Arsepam), ao Ministério Público Federal (MPF), à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), ao prefeito de Maraã e às lideranças da comunidade Nova Galileia.

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