A greve dos trabalhadores dos Correios chegou ao fim após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que julgou o dissídio coletivo da categoria e estabeleceu reajuste salarial de 4,09%, com efeito retroativo a 1º de agosto, data-base dos trabalhadores.
Em São Paulo, o encerramento da paralisação foi aprovado em assembleia realizada na noite de quinta-feira (24). O sindicato orientou os funcionários a retomarem as atividades a partir das 22h.
A paralisação começou em 10 de setembro. Durante o julgamento, a Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST considerou que a greve não foi abusiva e determinou o retorno dos trabalhadores às atividades.
O processo foi apresentado pelos Correios, que haviam solicitado que a paralisação fosse considerada abusiva. A empresa argumentou que as negociações para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 ainda estavam em andamento quando a greve começou e apontou o descumprimento de regras estabelecidas em uma decisão liminar para garantir a manutenção de serviços mínimos.
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Segundo a relatora do processo, desembargadora Maria de Nazaré Rocha, houve diversas reuniões entre representantes dos Correios e dos trabalhadores, com apresentação de propostas e contrapropostas.
As negociações também foram acompanhadas pela Vice-Presidência do TST por meio de um procedimento de mediação. De acordo com a relatora, houve tentativas de acordo, mas as partes não chegaram a um entendimento sobre todos os pontos discutidos.
A decisão que considerou a greve não abusiva foi tomada por maioria. Ficaram vencidos a ministra Maria Cristina Peduzzi e os ministros Ives Gandra Martins Filho e Guilherme Caputo Bastos.
Reajuste de 4,09%
O reajuste definido pelo TST será de 4,09%, aplicado a partir de 1º de agosto. O percentual incidirá sobre os valores praticados na data-base e terá reflexos nas demais parcelas de natureza salarial.
A decisão também atualizou benefícios destinados aos trabalhadores, incluindo o auxílio para empregados e dependentes com deficiência, o reembolso-creche e o reembolso-babá.
Também foram estabelecidas alterações nos valores de vale-refeição ou alimentação e vale-transporte.
Plano de saúde terá mudanças
O julgamento também tratou do plano de saúde dos funcionários dos Correios.
Pelo novo modelo, a empresa deixará de ser mantenedora do plano e passará a oferecer um subsídio empresarial para o Benefício de Assistência à Saúde. A adesão será facultativa e seguirá as regras previstas no regulamento.
Até que o novo sistema seja implantado, continuará funcionando o atual Plano Correios Saúde II.
Dias parados poderão ser compensados
O TST autorizou, de forma excepcional, a compensação dos dias em que os trabalhadores permaneceram em greve.
A compensação poderá ocorrer por meio de mutirões aos finais de semana, com o objetivo de reduzir o volume de correspondências e encomendas acumulado durante a paralisação.
Durante o julgamento, também foi considerado o relato dos Correios sobre o aumento do volume de cargas, atrasos e dificuldades na distribuição de encomendas. A empresa afirmou que será necessário um esforço adicional para normalizar os serviços.
Sindicato vai acompanhar cumprimento da decisão
Após a assembleia que aprovou o fim da greve, o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (SINTECT-SP) informou que continuará acompanhando a aplicação das medidas determinadas pelo tribunal.
O vice-presidente da entidade, Rogério Bueno, afirmou que a categoria permanecerá organizada para acompanhar o cumprimento da decisão do TST.
Como o acórdão ainda não havia sido publicado, o departamento jurídico do sindicato informou que fará uma análise do documento assim que o texto estiver disponível. A entidade deverá divulgar posteriormente os detalhes da decisão e as próximas etapas da campanha salarial.
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