Quase seis meses após o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, ocorrido no dia 13 de fevereiro no Encontro das Águas, em Manaus, sobreviventes e familiares das vítimas voltaram a pedir atenção para o caso e a divulgação do julgamento que envolve o comandante da embarcação.
O acidente deixou três pessoas mortas, cinco desaparecidas e 71 sobreviventes. Entre eles está Rose Silva, de 57 anos, moradora de Nova Olinda do Norte, que relata ter vivido momentos de desespero durante o naufrágio.

Sobrevivente relembra luta pela vida
Em vídeos enviados ao Segundo a Segundo, Rose mostra momentos do resgate e relata como tentou sobreviver após o afundamento da embarcação. Segundo ela, as imagens registram o período em que permaneceu segurando uma corda dentro da água.
Rose conta que, após horas de esforço, perdeu as forças e acabou se soltando da corda, sendo levada pela correnteza para longe do local do acidente. Ela afirma que foi encontrada por dois homens de Itacoatiara, que conseguiram retirá-la da água horas depois.
Em outro vídeo, é possível ver a sobrevivente já resgatada, fisicamente exausta, ainda segurando uma parte da estrutura da embarcação. As imagens mostram o estado de desgaste após o período em que ficou à espera de ajuda.
“Eu não sei nadar. Naquele dia vi a morte de perto. Vi pessoas pedindo socorro e famílias se perdendo na água”, relatou Rose.
Segundo a sobrevivente, após o acidente, os passageiros que conseguiram sobreviver ainda enfrentam dificuldades relacionadas às consequências do naufrágio. Ela afirma que muitos perderam documentos, objetos pessoais e aguardam encaminhamentos sobre possíveis reparações pelos danos sofridos.
“Queremos que essa tragédia não seja esquecida e que os responsáveis respondam pelo que aconteceu”, declarou.
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Processo contra comandante
O comandante da lancha Lima de Abreu XV, Pedro José da Silva Gama, responde a uma ação penal após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM). Ele é acusado pelas mortes de três passageiros e pelo desaparecimento de outras cinco pessoas.

A Justiça recebeu a denúncia e o processo segue em andamento. O caso será analisado pelo Tribunal do Júri, conforme decisão judicial.
Pedro José chegou a ser preso após o acidente, foi posteriormente solto mediante decisão judicial e, depois, teve a prisão preventiva decretada. Ele se apresentou às autoridades em março e permanece preso.
Inquérito da Marinha
A Marinha do Brasil concluiu o inquérito administrativo sobre o acidente e encaminhou o procedimento ao Tribunal Marítimo. O órgão deverá analisar as circunstâncias do naufrágio e possíveis infrações relacionadas à segurança da navegação.
As conclusões do inquérito permanecem sob sigilo e ainda não foram divulgadas.
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